A Vogue por muitos anos tem sido a maior fonte de informação de moda do mundo e provavelmente continuará sendo. Sejamos francos, a Anna Wintour ainda é a nosso maior resource of fashion still alive.


Sempre assisto as transmissões dos desfiles internacionais pela Vogue Runway e procuro inspiração lá, Tim Blanks é um ídolo e suas resenhas são sem dúvida alguma, as melhores do mundo fashion.


Comecei falando de Vogue porque é de lá que veio toda minha informação para passar à vocês minha critica, é de uma ignorância sem tamanho fingir que todos temos inspiração e sabemos de tudo sem consultar algum lugar, por mais franqueza e menos cópias.


Quatro temporadas, uma marca bebê com adultos por trás, provavelmente em todas as semanas de moda que a polêmica Vetements estiver, vocês verão um post dedicado a grife em cada site sério de informação de moda, sabe porque? Porque é impossível não falar de um marca que leva ao público muito mais do que roupas e tendências para serem adquiridas, a Vetements é uma marca que trás em sua indumentária um manifesto e nessa coleção, talvez, o manifesto mais importante da atualidade: a inclusão.


Vivemos em um mundo onde 60% da população vive a margem. A margem do consumo, do luxo,  da sociedade, do saneamento, da água potável, do grupo cool. A MARGEM DA INCLUSÃO. 


Eu odiei meu ensino médio, frequentei 65% das aulas e quase reprovei por falta, não sinto falta nenhuma dos três anos de escola, amava parte dos meus professores e dessa época tenho um ou dois amigos, agradeço a minha facilidade de aprendizado para estar onde estou hoje, nunca tive problemas de inclusão, mas sempre tive colegas e observei aqueles que tinham.


Crescemos na sociedade da exclusão. 


Como a seleção natural, escolhemos os semelhantes para andarmos em bando, como animais. 


O mais popular lidera e os seguidores vão atrás, isso começa na escola mas corre pela vida, nenhum pouco diferente é na moda, o grupo cool, descolado, ao qual todos querem fazer parte e os que não conseguem se revoltam julgando.


Magreza, cabelos L’Oreal, pele Natalie Portman, nariz, queijo, proporção, exigências de um mundo onde o que deve ser valorizado é a roupa. Mas convenhamos, quem usa essa roupa? Pessoas normais, acima do peso, com cabelos quebrados, amarrados porque não tiveram tempo de lavar, mulheres sem cintura, homens sem uma barriga chapada, gente de um metro e sessenta, mas principalmente quem compra a ideologia de uma marca.


O consumo diminuiu, a futilidade é criticada, luxo é pagar pouco? Será mesmo? O consumo nunca vai parar, a futilidade está dentro de cada um e o luxo é comprar um ideal, seja sustentabilidade, seja inclusão. Em 2017, pleno século XXI, as pessoas procuram causas e lutam por elas, caso contrário Trump teria ganho por voto popular e estaríamos estagnados sem mudanças.


Voltando a Vetements e ao que interessa, se você está buscando um post sobre tendências e o que está acontecendo nas semanas de moda, volte semana que vem no mesmo horário, porque esse post é dedicado ao que eu, Veronique Littmann acredito. Esse post é inteiramente sobre a marca que veio para quebrar padrões e a tendência é consequência se uma marca de urbanstyle, streetstyle. Sou da moda, sou estranha, sou jovem e idealista, logo, odeio padrões arcaicos e acho que eles devem ser quebrados por um mundo mais pacífico.



CASTING


Pessoas normais, isso não seria novidade alguma se dessa vez a seleção de pessoas não estivesse completamente diferente. Sua mãe ou avó abriu no desfile, seu pai, porteiro, a secretária do dentista desfilaram, o técnico do seu computador, a senhora que todos os dias de manhã está passeando com o cachorro na esquina da sua casa, também.


O policial do exército que faz a ronda na sua cidade, aquela mulher com cabelo diferente, moderno e pernas grossas, a japonesa dona do seu restaurante preferido na Liberdade estava lá, pessoas com fácil assimilação as que você encontra no seu dia-a-dia ou até mesmo os esquisitões que fazem rodas no centro da sua cidade e sobem para a galeria do Rock em busca de algo novo para riscar em suas peles. Negros, brancos, gordos, magros, com e sem cabelo, baixos e altos. What the fuck is a model agency?



CONVITES


Imagine o correio lhe entregar sua identidade por método convencional. Foi isso que a Vetements fez, identidades com fotos de pessoas de diferentes etnias, começando a dar pistas do que seria visto nas passarelas.


LOCAL


Depois de um desfile nas famosas Galerias Lafayette, começando um ciclo de desfiles históricos, o próximo desfile da marca ficou para o grande local de arte contemporânea de Paris: Centro Georges Pompideu.



NOIVA


Talvez uma sátira com a Haute Couture, ou um look acrescido devido a semana de alta costura estar acontecendo no mesmo momento em que menswear.


A marca apresentou o primeiro look de noiva de sua história, em tule bordado e volumoso, uma mulher loira caminhou pela passarela em um vestido de noiva que foge completamente do convencional, apesar da cintura marcada, a noiva permanecia completamente coberta e envolta em uma modelagem larga.



COLEÇÃO


Quem tem estilo, cara ou jeito de gótico, usou roupas que góticos usariam, as pessoas foram vestidas de acordo com os movimentos aos quais representam ou sua etnia. Uma mulher com traços de indiana vestiu um moletom laranja e um vestido colocado como se representasse um sari, indumentária típica de mulheres na Índia.


Cores sóbrias, cinza, tons terrosos, preto, azul royal, marsala estão presentes na cartela de cor da marca. Alfaiataria desconstruída em calças, camisas e peças que chegam a parecer pijamas, mas a reconstrução dela também está presente em twin-sets, ternos e calças. Logo aparente o jeans, em vestidos e saias para serem cortados e bordados,  beirando o fun e tiram o ar formal das peças.


O sportswear reina nos casacos acolchados, bomber jackets e nas próprias botas de meia. Botas, scarpins para as mulheres e sapatos muito bem feitos para os homens. O oversize fecha a assinatura da francesa Vetements.



Como de costume a mensagem é clara e exclusiva, a palavra inclusão grita a cada passo de cada modelo durante o desfile. Todos podemos usar, todos temos ideais, cada um tem seu espaço e seu lugar, mas todos temos direitos.


A roupa é feita para todos, quem tem um corpo e está apto a se vestir, pode vestir-se como quiser e ser quem quiser, o mundo é gigante e é palco para as crenças de cada um, a roupa é o manifesto do que cada um pensa, o reflexo do interior de cada pessoa.


Vista-se de acordo com o que você acredita, use a moda e a tendência ao seu favor, não deixe que os outros ditem se você está in or out.