O que é a Louis Vuitton?


A marca do monograma “LV”, a marca das bolsas mais copiadas do mundo, ah aquela marca cara!


Tudo está correto, mas a Louis Vuitton começou sendo uma marca de utilitários de viagem, a Louis Vuitton começou sendo baú, em 1851.


Surgiu da necessidade de transportar artigos pessoais com classe, daí vieram as famosas caixas de chapéus, que conquistaram as madames da época.


O trabalho extremamente artesanal conquistou a classe nobre da época e esse foi o início para a concorrência. Para evitarem as cópias, foi assinado ao lado de fora dos baús “L.Vuitton” o que foi em vão. Para diferenciar a sua marca das demais, George Vuitton, filho de Louis Vuitton, criou o tradicional monograma das letras LV na cor ocre e café em 1896.


Não estamos focados na história da marca mas sim no que ela se tornou.


Em 1987 Bernard Arnault comprou a grife, que pertencia a mesma família desde o começo, com ela o magnata francês construiu o maior grupo de moda da atualidade o LVMH e enxergou o grande império que  ele poderia fazer com a tradicional Louis Vuitton.


Em 1996 ele colocava a marca no cenário da moda como artigo de desejo quando convidou diversos estilistas renomados para reinventar os acessórios da grife, essa foi a homenagem aos 100 anos do monograma, porém ainda era pouco, foi em 1997 que o estilista americano Marc Jacobs assumiu o prêt-à-porter da gigante Louis Vuitton, quase desconhecido em Paris, ele transformou as bolsas da LV em desejo, necessidade para as mulheres do mundo inteiro, logo na sua estréia, inovando e usando suas inspirações Marc Jacobs tornou o clássico em moderno, convidando artistas para associarem-se a marca.


Então agora eu pergunto novamente, o que a Louis Vuitton se tornou?


Provavelmente a marca de luxo mais importante da atualidade. Mas no meu caso, ao abrir meu computador, hoje 09 de março de 2016, posso dizer que a Louis Vuitton é a minha inspiração e certeza de que estou na profissão certa.


Tenho acompanhado os desfiles desde que a NYFW começou, de todos os desfiles, o ready-to-wear Fall 2016 da Louis Vuitton é o meu preferido.


Marc Jacobs adubou o terreno e colheu diversas safras saudáveis durante os seus 16 anos a frente da marca. No dia 04 de novembro de 2013, o francês Nicolas Guesquière, depois de ser o diretor criativo da grife francesa Balenciaga por anos, assumiu a frente da Louis Vuitton.


Desde que assumiu a marca, Guesquière têm se destacado, tarefa difícil no atual cenário que estamos, um mundo com cada vez mais concorrência e talentos. Em 2014, na sua primeira coleção eu tinha 18 anos, estava começando a ter um pensamento crítico sobre moda, lembro ter perguntado para a minha mãe se a Louis Vuitton não era mais clássica.


Nicolas Guesquière pegou uma marca sólida em acessórios, um bebê extremamente bem cuidado no ready-to-wear e inovou, inova e ainda irá inovar. Fazendo o clássico ficar moderno, o ladylike virar punk e transformando a moda em arte.


Porque, o que é moda? Moda é a arte que vestimos, moda é o que queremos usar, moda é expressão, nos vestimos de acordo como acordamos, moda é comer, moda é sentir.


A Louis Vuitton está moderna, está rock, está cool, glam. Está para todos os gostos.




Não sei se ando vendo coisas futuristas demais e sexy demais, achei o desfile bastante “Sin City”, com malhas coladas aos corpos da modelo, calças de couro, cinturas extremamente marcadas.


É inverno, inverno têm pele, casacos, calças.


A seda deu movimento para a passarela da Louis Vuitton, num inverno normalmente rígido dessa vez ela ocupou lugar em forma de vestidos, calças, mangas bufantes.


Um casaco me chamou a atenção, feito em pele azul, com botões militares dourados, mas modelagem esportiva. As peças geométricas continuam na coleção de Guesquière que vem trabalhando com recortes e botões desde a sua primeira coleção. Sobreposição de peças com cropped, luvas acima do cotovelo.


O sapato da coleção é um coturno de salto, com pesponto branco na sola que viajou do couro box preto ao specchio prata, rock’n roll, outfit para um show dos Stones, até a sua variação esportiva, branco e preto, com telinhas, preto com pesponto verde neon, fundo vermelho, que combinaria com uma calça de moletom.


Vemos bastante vermelho, azul marinho, preto, cinza, amarelo, estampas exclusivas da marca.


O mix de bolsas é gigantesco, mas cada vez é menor, o número de bolsas todas no monograma, com uma pegada patriota, algumas alças de ombro vieram nas cores da bandeira francesa, algumas “caixinhas” brincam com o monograma e animal print, com um ar chique, moderno, quase escrito “MUST HAVE”.


Não há como padronizar a coleção de Fall 2016 da Louis Vuitton em uma única palavra chave para a “tendência” apresentada, nitidamente há uma pegada dark, rockstar, mulher auto-suficiente.


Ultimamente o cenário da moda global têm vindo com traços fortissimos de sportwear, desde o desfile praticamente todo em flyknit de Alexander Wang, a febre dos sneakers iniciada por Isabel Marant, o próprio Guequière quando estava na Balenciaga, com o sapato Sportiletto.


E por incrível que pareça a centenária, clássica Louis Vuitton inovou como nenhuma outra nessa temporada, deixando o clássico de lado e literalmente fazendo o melhor da e para a moda. Parabéns Nicolas Guesquière.