Já ouviram falar da Carta Manifesto? Não, nada a ver, só achei um trocadilho bom pro título.


SPFW Verão 12-13, "Dilma precisamos falar com você, a moda agradece", essa foi a frase estampada na cor dourada em uma shirt preta que Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura, Marcelo Sommer, João Pimenta, Paulo Borges e diversos outros estilistas da moda brasileira usaram no desfile da Cavalera, um protesto simbólico pedindo ao governo nacional incentivo a moda no Brasil.


Vocês devem estar pensando o que isso tem a ver com esta edição. TUDO.


Ronaldo Fraga e LAB.


Nada em relação a estilo, tudo em comum, na mesma trilha, jornada em causas sociais.


Ronaldo Fraga apresentou sua coleção no dia 26/10, "El Día Que Me Quieras",  seu ID de marca estava lá, do jeito Ronaldo Fraga de ser, um único vestido com variações foi desfilado, diferido pelas estampas próprias, tule em lugares diferentes, alguns recortes e cores sóbrias que me remeteram ao filme Caroline de Tim Burton, sapatos que beiravam ao fun, ankle boots desenhadas como sapatos bonecas e meia branca chamaram a atenção, mas o que estava diferente? O casting. Todo o casting Ronaldo Fraga era composto por transgêneros. Em meio aos looks transexuais de todo o Brasil, escolhidos com biotipos diferentes. Lá estava Valentina, que vem fazendo sucesso nos desfiles nacionais e chama a atenção por sua beleza e semelhança com Grazi Massafera.



LAB fez seu début no SPFW, dos irmãos Fióti e Emicida que canta a realidade das ruas.


A LAB tem como objetivo isso, trazer o grito das ruas para a passarela, apelo pelo diferente e pela quebra de preconceitos, modelos plus size, seu Jorge de saia, som ao vivo enquanto as modelos desfilavam, casting praticamente inteiro de negros.


A LAB é a voz da comunidade, da maioria do país. Mais do que uma marca a LAB é uma filosofia, é resultado do que os irmãos querem passar, peças streetwear, bermudões, roupas largas, kimonos, alças por dentro das jaquetas dando a impressão de uma mochila quando não estão vestidas, tênis Reebok, botinha dos anos 90 relançada nas cores P&B complementaram o melhor do streetstyle e reforçaram o genderless uma vez que as botas eram exclusivamente masculinas, a LAB chegou para quebrar paradigmas e lutar por um espaço nesse mundo tão fechado: o mundo da moda. 



Assim foi o meio da semana de moda do Brasil, com manifestos por causas diferentes mas que sofrem o mesmo preconceito, Ronaldo Fraga usou sua imagem e desfile para combater o preconceito existente com transexuais, vemos o tempo todo relatos de agressão, homicídio e agressão verbal contra os transexuais. Já a LAB luta pela inclusão das pessoas da comunidade e fala abertamente do preconceito contra esse povo, outro assunto que presenciamos o tempo todo.


A equipe Penso Moda está com Ronaldo e com a LAB nessa batalha, aos leitores, peço que reflitam por um momento se nunca exerceram desse preconceito em algum momento na vida. 


Finalmente está mais vigente falar sobre o preconceito contra transexuais, mas o preconceito com o pobre, com o sem teto, com aquele ou  aquela que nós vemos vagando pelas ruas está em todos os lugares, seja pela roupa que vestem, pelo jeito que falam. Esses são barrados, olhados com o canto dos olhos e destratados. A causa é diferente mas o tratamento é igual.  Ambos estão naquela beira da sociedade onde são tratados como marginais.


Juntos podemos mudar isso, não só por uma moda mais justa, mas por um mundo mais tolerante e justo.