A história da Penso Moda, na moda, começou lá atrás, muitos talvez não saibam pois a Penso Moda não existia nos anos 90, apenas sua fundadora.


Fanny Littmann é conhecida no ramo por seu trabalho com os estilistas dos anos 90 e a execução de seus sapatos de desfile, desde lá, Fanny tem essa parceria que dura cerca de duas décadas com Alexandre Herchcovitch.


Consultora de moda e gestora do e-commerce da grife Di Cristalli, Fanny levou o projeto de Alexandre e Fábio desde a primeira coleção da À La Garçonne para a marca gaúcha, de Três Coroas. A Di Cristalli apostou em entrar nessa jornada e assinar os sapatos da coleção 1 e 2.


Como eu já disse em posts anteriores, desde que me mudei para a terra da garoa tive a oportunidade de trabalhar com Alexandre e Fábio nas duas coleções da marca.


Nesta ultima temporada de moda a equipe Penso Moda, carinhosamente chamada de #PMSquad veio para o SPFWTransn42 cobrir os desfiles e mais precisamente o da À La Garçonne.


Com muito orgulho e admiração fizemos essa entrevista descontraída, após todas as outras e intimista com os donos da marca que é a vez do momento.


PENSO MODA - Desde a última coleção vocês fazem parcerias, nos acessórios, no sapato. Como surgiram as parcerias e nesse desfile elas aumentaram, não é mesmo?


Alexandre Herchcovitch: A idéia é que a gente aproveite o know how das melhores empresas que queiram ser parceiras da gente e que desenvolvam nosso design, a idéia é sempre trabalhar com duas mãos, com as duas empresas, tanto é que as peças são assinadas pelas duas empresas.


Um fato interessante sobre a Di Cristalli é que na década anterior  eles eram especialistas em fazer sapatos de plástico com meia patas e saltos altíssimos, dai a idéia de colocar plástico no oxford preto, desfilado.



PM - Como foi a adaptação do see now-buy now? Ao Alexandre como estilista e ao Fábio como criativo e produção?


AH - A gente teve que ter um preparo maior, uma antecedência maior, porque pra tudo ficar pronto logo em seguida ao desfile tivemos que antecipar muitas coisas, parte entra hoje, parte entra quarta-feira, um pouco mais em novembro. Como a gente percebeu desde o primeiro desfile que as pessoas veem o desfile e já querem comprar, na hora a gente aproveitou essa ideia que o mundo está pensando e ver se serve para gente, hoje, essa coleção é o maior teste.


FÁBIO SOUZA - Como o Ale disse, foi um grande teste, na verdade a primeira coleção, tivemos um delay de um mês, dessa vez não, temos roupa hoje na loja, no mesmo dia do desfile, uma pequena parte, na quinta feira uma grande parte e depois como toda coleção, vamos salpicando duas vezes por mês roupas na loja. 



PM - Passados seis meses da primeira coleção como vocês percebem a evolução da label?


AH - As pessoas aceitaram muito, consumiram, a gente está aperfeiçoando nossos métodos de re-uso, reciclagagem, é uma marca bem nova, não tem nem um ano e a gente está evoluindo para ser uma marca que vai competir com qualquer outra marca no mercado.


FS - A gente cresceu na verdade, conforme a demanda, nos surpreendemos com o consumo da primeira coleção e cresceu agora o tamanho dela, pra atender esse público todo, que desejou a marca.


PM - Como um casal, como está sendo esse processo de co-criação?


AH -  Ah.. É um... A gente tem que..


FS - Novidade!


(risos de todas as partes)


AH - Trabalhamos um ouvindo ao outro e entendendo que cada um tem uma posição, confiando um no outro, normal.


FS - É um processo, a gente sempre teve o trabalho criativo, mas individual e agora em conjunto é um aprendizado na verdade, de saber entender onde um tem razão ee o outro não, costurando isso da melhor maneira.


PM - Nesse primeiro ano de vários projetos novos o que vocês mais amaram fazer?


AH - Olha, eu acho que o grande projeto é a À La Garçonne mesmo, entender um pouco do novo mercado, do novo consumidor, como que ele está reagindo com a possibilidade de ter peças antigas customizadas no guarda-roupas, então estamos aprendendo junto com isso, acho que esse foi o maior desafio do ano.


FS - E a maior surpresa do ano, foi saber que a maior venda veio das peças customizadas, veio das peças recicladas e que o sucesso de vendas deu-se não pelas peças novas mas as peças que tiveram interferência, foi uma grande surpresa pra gente na verdade, ficamos muitos surpresos com a aceitação positiva do consumidor né.



PM - Desde o início mudou bastante essa coleção da outra, vemos que a outra tinha mais alfaiataria e agora vemos mais esportivo...


AH - Não, tem alfaiataria, não acho que tenha mudado...


PM - Aperfeiçoou...


AH - É, porque não tinha alfaiataria masculina, agora tem, a feminina passou e fomos mais relaxados com a masculina, então isso depende do tema, depende do que a gente discute, o que a gente aprendeu em relação ao consumo da mulher, o que o homem está consumindo, então a gente muda e tem observado muito o nosso cliente, não é uma coisa que parte só de nós pra eles e eles tem que engolir é um estudo mesmo, vou fazer isso por causa disso e aquilo por causa daquilo, mas eu acho que ela é uma evolução da outra e sempre vai ter essa cara.


PM - Gente, a última pergunta. Têm alguma coisa que alguém nunca pergunta pra vocês e vocês gostariam de falar? 


AH - Olha as pessoas tão meio perguntando onde vende, e tipo elas não entendem direito a história da exclusividade, por duas coleções e essa é a última, o feminino foi exclusivo da NK Store, São Paulo e Rio, Shopping Iguatemi e vendemos masculino na Cartel 011, na Dona Coisa e também um pouco na NK, a partir de fevereiro já vai estar aberto o atacado para O BRASIL INTEIRO, isso as pessoas não sabem.



Essa foi nossa entrevista com a dupla a frente da À La Garçonne e acho que uma aula rápida em cinco perguntas. Com certeza os vinte anos de Alexandre na moda o ensinou a estudar o comportamento e o consumo, não adianta fazer roupas para quem não vai comprar. Os oito de Fábio a frente de um segmento diferente também ajuda nesse upcycling e cria o ideal por trás da marca, trazendo esse conceito brilhante de reutilização.


Mundo da moda, novo mundo, novos comportamentos, novas preocupações e principalmente: NOVAS FILOSOFIAS.