Drunk and crazy in love. Se foi intencional começar e terminar com duas músicas muito subjetivas a coleção, deu certo. Com certeza absoluta esses dois adjetivos foram respectivos a todos convidados para o desfile da coleção 2017 da À La Garçonne, a marca conseguiu criar em seus espectadores esses sentimentos pelas roupas ali desfiladas, fica ainda mais claro, com o final emocionante aplaudido em pé, por todos.


Alexandre Herchcovitch, provavelmente o nome mais conhecido da moda Brasileira atualmente. Absorve a responsabilidade, transformação, pressão e  vários outros sentimentos em seus ombros, Seis meses após deixar sua marca homônima , assina ao lado de seu marido, Fábio Souza a segunda coleção da À La Garçonne.


Sportwear


Ele está em todos os lugares do desfile, seja no look com All Star, no look T-Shirt de telinhas bordadas a mão com miçangas sob uma calça de alfaiataria, ou mesmo no look 48 onde Mariana Calazans brilha em uma saia plissada preta e um top preto com azul. Bikers, e esportes são os maiores fatores de inspiração para essa coleção. O neoprene é visto nos looks do conjunto preto, único, no final, e em bustos de vestidos, reforçando o sportwear, quebrando o clássico.


Vintage


Sapatos. Os sapatos brilharam contidos em box preto ou marrom.. Os saltos meia pata plataforma são pesado com vira larga, a cara do streetwear. Os baixos nascem de um sapato masculino inglês vintage assandalhado para estar nos pés femininos e masculinos do desfile. A versão box preto vazado em vinil no meio, deixam as meias coloridas visíveis.


Militar + Jaquetas


Ouso em começar a teoria de que jaqueta deixou ser peça do vestuário e se tornou um acessório. As jaquetas pintadas a mão continuam fortíssimas e se tornaram marca registrada da marca junto com as meias franzidas no tornozelo. Reforçando o militar, além das jaquetas as calças oversize tomaram conta dos looks, seguradas pelo cinto e franzidas, de uma maneira desconstruída e chic o militar está fortemente representado.


Parcerias


O desfile seguiu uma linha maior de parcerias do que as anteriores, desta vez a a alfaiataria ficou sob responsabilidade da Colombo, a bijuteria novamente com Hector Albertazzi, a malharia com a Hering, a camisaria de Humberto Pascuini, os sapatos oxford baixos e altos da gaúcha Di Cristalli, os tecidos usados para a confecção de outras peças da Ecosimple e os tênis pela clássica Converse. Como dito pelo próprio Alexandre, os diretores criativos usam o melhor de cada empresa e criam em cima disso.


Renda + Transparência


É como ver uma revolução nos fundamentos de deign  Alexandre Herchcovitch. A delicadeza das rendas e dos vestidos com a melhor das melhores modelagens, Kátia André, Giovanna e Lorena desfilaram com leveza, respectivamente nos looks brancos do final e Lorena no dourado em camadas. 


Beleza


A beleza ficou por conta de Celso Kamura, que teve como inspiração as belezas das grandes metrópoles, clean e sofisticada, essa foi a make da À La Garçonne.


Ao final, só não se emociona quem não gosta de arte, Crazy in Love fechou o desfile, reforçando o pop com os esportes e enchendo os corações dos apaixonados pelo país da Queen B.


A medida que a fila final ia acabando, todos levantaram-se para aplaudir e imediatamente após a saída da última modelo o frisson foi incontrolável até o backstage, todos estavam ansiosos para conversar pessoalmente com Fábio e Alexandre.


Ouso em falar que foi um dos desfiles mais bonitos que eu já vi, feito com muita dedicação e amor, a À La Garçonne é fruto de muito know how, amor e liberdade a criatividade.