Não minto, separei por tópicos os assuntos principais deste post, pois são vários!


Falar de À La Garçonne não é tarefa fácil, em primeiro lugar porque é a it brand do momento e  em segundo porque trabalho com a marca desde o seu nascimento.


Alexandre Herchcovitch é estilista, costureiro, celebridade e calça preta. Calça preta? Sim, conheço Alexandre praticamente desde que nasci e desde que lembro dele com calças, nunca o vi com outra cor: preto.


Louco né? A moda é colorida, cores para todos os lados, o streetstyle é alimentado pelo colorblocking, mas quem faz moda veste uma única cor: preto.


Como diria Victoria Beckham e talvez seja a verdade, a quantidade de trabalho e o cansaço de fazer a moda acontecer tirem os sorrisos do rosto.


Fanny Littmann, nossa diretora e Alexandre Herchcovitch diretor criativo da À La Garçonne, trilham um caminho no mundo da moda há muito tempo, aproximadamente 21 anos. Desde os anos 90, sonhadores em fazer um país com uma moda respeitável nacionalmente e internacionalmente, em meados de 1996 Fanny e Alexandre foram apresentados para trabalharem com sapatos. Nova na Arezzo, Fanny criou o projeto chamado “Studio Arezzo”, onde a marca, não tão conhecida como atualmente, iria desenvolver os sapatos de desfiles dos principais designers da época, talvez isso - ou com certeza - é o que deu a Arezzo o poder e influência tanto de mercado, quando de estilo que ela tem hoje, ter começado nos pés da moda brasileira.


A COLEÇÃO


Trabalhar com eles desde a primeira coleção me ajuda muito ao descrever as tendências apresentadas na passarela, mas dessa vez em especial, ouvi algo interessante no ateliê da marca vintage. Certo dia, entre uma prova de roupa e outra, duas cabeças da marca discutiam sobre o que ser apresentado na passarela e sobre todo mundo fazer o mesmo, todos quererem ver o mesmo: sportswear, descontrução, veludo (o que a Penso vem falando desde que começou seu novo projeto)…


Eis que uma resposta sábia foi dada: "A gente faz o mesmo, mas a questão é a maneira que mostramos o mesmo.”


Uma editora de moda famosa disse que as revistas, mídias e pessoas vão aos desfiles e às lojas com outro intuito do que apenas o simples desejo de comprar. As revistas compram filosofias e as pessoas que podem também - exato, as que podem, porque o nome “ÀLAGARÇOVITCH” jogada fun desta temporada, não está em peças nem um pouco baratas.


Transparência, meia arrastão, arrastão em tops e macacões, sportswear, oversize, fun, vibes sadomazô, clubber, punk e a delicadeza da feminilidade de Alexandre na fila final de belezas negras, de tudo um pouco e com o DNA já estabelecido, essas foram parte das tendências apresentadas na última quinta feira pela marca mais jovem e mais famosa do Brasil.




PARCERIAS


A lista é grande e de peso, algumas das grandes como Hering, Colombo, Vans, Esdra, Hardcore Footwear, Hector Albertazzi, Lullitex Têxtil e por aí vai.


Como a francesa Vetements, a À La Garçonne segue a filosofia do re-uso, utilizar de quem já faz para a produção, com design inovador e peças desejo. A venda na loja da marca e em seu site, as pessoas também encontram-se disponíveis nas respectivas lojas dos patrocinadores e em seus sites.


Desde a sua marca homônima, a parceira de Herchcovitch é grande com diversas empresas que terceirizam o seu nome e marca, diga-se a ZELO, Tok & Stok, Chilli Beans e muitas outras que se eu citar, não cabe em um único post.


Falando de sapatos, a combinação dos joelhos para baixo foram as que mais me conquistaram, apaixonada por tênis e louca por meia patas enormes, as botas que me lembraram algo clubber e ao mesmo tempo a colorida parece que vai se transformar  - tipo os carros do filme Transformers - foram os grandes protagonistas, Vans - do old skool ao sk8er, coturnos pesados e botas pintadas a mão - marca registrada da grife.




CASTING


Fábio Souza, proprietário da loja de móveis vintage, À La Garçonne e agora da marca, ao lado de seu marido, optam por new faces em todas as temporadas. Além de abrirem espaço para os modelos transgêneros, como a linda Valentina Sampaio que encanta e choca pela semelhança com Grazi Massafera, desenvolvem também as belezas negras, sempre presentes em seus desfiles e nesse em especial, em toda a fila final do desfile, com looks pretos de tirarem o ar.




PECULIARIDADES


Alexandre não caminhou pela passarela inteira dessa vez, pelo contrário, ele e Fábio fizeram um singelo asceno no início dela e logo sumiram para dentro do backstage que, como sempre, estava mais apertado do que uma lata de sardinha, de tantas editoras de moda, blogueiras, jornalistas, e pessoas querendo um pedaço de Alexandre e Fábio. 




Fica aqui meu agradecimento a equipe da À La Garçonne, pela oportunidade de trilhar esse caminho de sucesso ao lado deles e pela oportunidade de conhecer tanta gente boa as quais possibilitam esse e muitos outros veículos de informação de moda a continuarem tendo vida. A MKTMix meu agradecimento especial pelo primeiro PIT Stop de nosso fotografo Luis Natus, sem vocês: À La Garçonne, MKTMix e Fanny Littmann, nenhuma dessas fotos estariam aqui. Mais uma vez, muito obrigada e que venha o SPFW N44.